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quinta-feira, 11 de setembro de 2008

Mesmo divido, Copom aumenta taxa Selic em 0,75 ponto

O Comitê de Política Monetária (Copom) decidiu elevar a taxa básica de juros em 0,75 ponto percentual, para 13,75% ao ano. A decisão ocorreu mesmo com a queda no Índice de Preço ao Consumidor Amplo (IPCA) para 6,17%, ante 6,37% em julho, na meta de 12 meses.


O aumento na Selic já era esperado por muitos economistas e indústrias, porém, o que não era esperado é a falta de consenso entre os diretores do Copom. Dentre eles, cinco optaram pela elevação de 0,75 percentual, para 13,75%; outros três ficaram com a prerrogativa de uma alta mais modesta, de 0,50 percentual, para 13,50%.

Agora a estimativa geral é de diminuição dos aumentos da Selic. Para os especialistas, a provável decisão do Copom em outubro será de uma alta de 0,50 ponto, e 0,25 ponto nas reuniões de dezembro. Para janeiro, a previsão é de início de neutralidade na taxa de Juros, sem alguma elevação.


fontes: Banco Central / Valor Econômico

terça-feira, 9 de setembro de 2008

Copom pode aumentar Selic mesmo com queda de IPCA

O Comitê de Política Monetária (Copom) se encontra hoje (09) e amanhã para definir os novos rumos da conjuntura econômica no Brasil.
A maioria dos analistas de mercado financeiro apostam em uma alta de 0,75 ponto percentual na Selic, taxa básica de juros. Se isso se confirmar, a taxa anual chegará a 13,75%. Para eles, o aumento da Selic vai ocorrer mesmo com a queda no Índice de Preço ao Consumidor Amplo (IPCA) para 6,17%, ante 6,37% em julho, na meta de 12 meses. Isso se deve ao fato de que o Banco Central (BC) não utiliza dados recentes para fazer uma provisão em suas atas – a recente deflação do IPCA é de curto prazo, e o BC visa uma preocupação com a inflação futura.

Câmbio

A desaceleração da economia norte-americana também atrai problemas na hora da definição da taxa básica de juros.
Juntamente com o fato de a demanda interna brasileira estar crescendo mais que a produção do País, há, então, uma necessidade de importações para suprir essa demanda. Caso o real se desvalorize em função do dólar, pode haver altas de preços de produtos importados no mercado interno. Caso isso aconteça, a inflação dispara e, dependendo da intensidade, o Banco Central pode ser forçado a aumentar ainda mais a taxa de juros, o que reduziria a demanda e faria com que os preços abaixassem, amenizando, assim, o efeito do câmbio sobre os preços.

fonte: O Estado de S. Paulo / Agência Estado

sexta-feira, 5 de setembro de 2008

Sobre as taxas de juros

O Comitê de Política Monetária (COPOM) vai se reunir novamente nos dias 09 e 10 de setembro para redefinir o curso da inflação no país. A especulação é se os dirigentes vão manter a alta taxa básica de juros ou se diminuirão. Para entender o porquê de essa decisão ser tão preocupante, é necessária uma análise sobre o tema.

A taxa de juros utilizada para controlar a inflação é o valor que o detentor do dinheiro cobra para conceder um empréstimo. O governo determina uma taxa básica – Selic – que norteia a economia brasileira e as negociações com títulos públicos registrados no Banco Central (BC).

Primeiramente, a taxa de juros é usada como forma para controle dos preços numa situação inflacionária. Quanto mais alta é a taxa, mais ela dificulta os créditos ao consumidor e ao setor de produção. Com barreiras ao financiamento de compras, a procura (demanda) por produtos à venda diminui. (Por exemplo, uma pessoa quer comprar uma geladeira, mas não consegue financiá-la porque os juros estão muito altos. Deixa, então, de comprar o produto e este começa a ficar encalhado no depósito da loja. Para vendê-la, a loja reduz o preço, fazendo a inflação cair.)

Outra função da taxa alta de juros é que ela atrai investimento especulativo. Quem investe em títulos brasileiros passa a receber juros altos. Assim, entram dólares no mercado interno brasileiro, aumentando a oferta da moeda norte-americana e mantendo a cotação dela controlada. Como os preços ao consumidor também sofrem influência do câmbio da moeda, a atração de investimentos usando juros altos também impede uma disparada da inflação.

Agora, voltando à questão central, o COPOM insiste em manter a taxa Selic alta com 1,75 ponto percentual (13% ao ano), taxa essa iniciada em abril, com a meta de controlar a inflação no país. O problema é que, apesar dessa alta, a indústria continua respondendo muito bem com elevado ritmo da produção, o que significa boas perspectivas de vendas para o fim de ano para as indústrias, e um risco para o Banco Central, que teme o ritmo da demanda, caracterizada por um aumento do consumo das famílias.

Para o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, em matéria publicada no Estado de S. Paulo, a inflação atual se deve a uma junção entre fatores do mercado doméstico e internacional. “Não só os preços das commodities estão subindo, como a demanda doméstica está aquecida. Tomamos medidas para reduzir um pouco o crescimento do País, que estava muito acelerado.”

Ocorre, então, uma situação onde o BC declara uma desaceleração na inflação no Brasil, com as commodities alimentícias, petroleiras e industriais tendo seus índices diminuídos a cada mês nas bolsas internacionais, depois de um período de alta. Porém, dados da produção industrial e de consumo das famílias continuam reforçados e aumentando, o que contraria veemente a lógica da implementação da taxa de juros alta.

Resta ver o que o Comitê decidirá na próxima semana e, então, poder traçar possíveis metas para a inflação, sempre confusa no Brasil.


fonte: O Estado de S. Paulo